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Estava em Palenque, no México e minha próxima parada era Playa del Carmem, destino turístico, mas menos caro e internacional que Cancun naquela época. Havia vários ônibus que faziam o trajeto, mas estavam lotados. Fui procurando e encontrei um com lugar e que ainda era metade do preço. Logo que entrei, descobri porque: não tinha turistas, só mexicanos. Dava para ver pelo tipo físico típico: morenos, cabelo liso e preto. Além disso, somente três mulheres, o resto eram homens.

Sentei lá no fundo, onde tinha lugar livre. Num posto policial no meio do caminho, entrou um guardinha com uma lanterna (era de noite). Veio andando pelo corredor olhando para a cara de todos. Não deu outra: parou ao meu lado, jogou a lanterna na minha cara, me cegando, e perguntou de onde vinha e para onde estava indo. Respondi secamente, mas um pouco assustada pois não entendia se ele queria me proteger ou acusar. Fiquei com medo que ele inventasse algo contra mim para pedir suborno, como é a fama dos policiais daquele país. Mas ele acabou indo embora.

Durante o trajeto, não consegui dormir de tensão e houve mais duas paradas em postos policiais, com guardas entrando no ônibus. Mas aí eu aprendi a lição e inventei meu jeito para não ser incomodada: fechava os olhos e fingia estar dormindo. Para dar um toque de que estava dormindo profundamente, ainda abria a boca…

Ruínas de Palenque, México

Ruínas de Palenque, México

Palenque

Palenque

Continuando a série de fatos inusitados em viagem, para quem leu o título apressadamente reitero que nunca tentei cruzar a fronteira DO México para os Estados Unidos. rsrs Eu queria cruzar a fronteira PARA o México mesmo, vinda da Guatemala. Não é um deserto, como a fronteira do norte, com os EUA, mas foi uma aventura um pouco assustadora…

Após visitar as ruínas de Tikal, na Guatemala, contratei uma agência para me levar ao México. Acordei no outro dia de madrugada para cruzar a fronteira com aquele país. Isso foi uma grande aventura. Um motorista mal humorado levou um grupo de 11 pessoas (dois mexicanos, eu e o resto de europeus) em um mini ônibus sem banheiro por três horas numa estrada de terra chovendo. Até aí beleza. Paramos na imigração para carimbar o passaporte e o cara de lá inventou uma taxa de saída do país. Inventou mesmo, pois não existia “oficialmente”. Alguns não gostaram. Quem falou grosso, acabou não pagando.

Depois, o motorista nos deixou na beirada do rio para cruzarmos de barco até o México e saiu apressado. O suposto barco era na verdade uma canoa muito estreita (menos de 1 metro de largura) e comprida. O cara do barco disse que faltavam 40 pesos no envelope que o motorista deixou para ele e que não podia chegar ao outro lado sem. Argumentamos que todos pagamos o preço completo e que não tínhamos nada a ver com isso. Os que falávamos espanhol, ou seja, os mexicanos e eu, tivemos que falar grosso mesmo. Eu até com vergonha de traduzir para o resto do grupo o que estava acontecendo, pois era mais um golpe para arrancar mais dinheiro da gente. Depois de um tempo de impasse, o homem finalmente mandou que entrássemos na canoa. Todos sentados dentro dela. Aí custou: ele saiu, voltou, conversou em dialeto com outro cara e acabou indo. A canoa ia balançando muito pelo rio, quase virava. E nem tinha colete salva vidas. A esta altura comecei a gargalhar de nervoso.

No México, eram 10 horas e o guarda da imigração, não estava lá, estava comendo. Não entendi se era um café-da-manhã tardio ou um almoço cedo. Demorou a vir e fez mil perguntas, mas no fim deu tudo certo. Foram mais duas horas e meia apertados numa van de 10 pessoas (éramos 11), sem janelas, num calor infernal e debaixo de chuva. Uf! Travessia mais complicada que essa somente o ônibus da morte (veja aqui).

Dentro do barquinho. Nada de colete, balançando, balançando...

Dentro do barquinho. Nada de colete, balançando, balançando…

O barquinho no riozão. RIo Usumancita

O barquinho no riozão. Rio Usumancita

Tikal, na Guatemala, é uma das ruínas da civilização Maya. Enorme e em plena selva. Dá para aprender bastante sobre a civilização Maya. Andei muito e subi e desci escadas de todas as pirâmides. Para quem não conhece, elas não têm porta, ou seja, não se entra, só se sobe pelo lado externo. O topo é estreito, mas cabem algumas pessoas.

Fiz uma visita guiada pelos principais pontos e depois fui curtir o tempo livre sozinha.  Vi no mapa: Palacio de las Ventanas o dos Murciélagos (palácio das janelas ou dos morcegos). Fui para lá. Ninguém por perto: muita gente só vai aonde os guias levam. Entrei numa porta. Beleza. Passei para a segunda porta, mais adentro, onde estava mais escuro. De repente, cena de filme de terror:  morcegos começaram a voar sobre minha cabeça. Muitos morcegos! Argh! Claro que saí em meio segundo!

Já quase indo embora algo nada agradável: uma senhora acabara de cair do topo de uma das pirâmides: 70 metros! Foi um milagre ela não ter morrido, pois as pessoas que caíram de pirâmide anteriormente, morreram. Ela machucou a perna/coluna e nunca soube se ela teve dano permanente na coluna ou não…

De qualquer maneira, é uma visita que recomendo muito para quem tem espírito aventureiro, bons joelhos e quer conhecer mais sobre a civilização Maya. Mas cuidado nos topos das pirâmides!

A senhora caiu da pirâmide cujo topo se vê ao fundo, à direita

A senhora caiu da pirâmide cujo topo se vê ao fundo, à direita

Aqui dá para ter noção da altura das pirâmides e de que como se sobe.

Aqui dá para ter noção da altura das pirâmides e de que como se sobe.

Continuando a série inusual: Isso não estava no roteiro, relato algo que ocorreu no mochilão pela América Latina, no ano de 2005. Portanto, pode ser que as coisas tenham mudado…

Um peruano havia me dito que em alguns lugares em seu país havia a prática do linchamento: roubou, morreu. Não acreditei muito, mesmo quando vi em uma cidadezinha do interior, algumas pichações que mostravam intolerância contra quem desobedecesse as regras sociais (coisas como “para ladrão, cortar a mão é solução”).

Um dia eu estava na cidade de Trujillo, andando a noite na rua com os três mosqueteiros (clique aqui pra saber esta história). De repente uma pedra passou raspando ao meu lado. Na mesma hora, pessoas que vinham em nossa direção, ao ver algo atrás da gente, fizeram cara de espanto, e correram para trás. Correria. Eu nem virei a cabeça para saber o que tinha atrás de mim e comecei a correr também. Como várias pessoas, entramos numa loja na esquina. Foi quando vimos que três homens perseguiam outro. Eles conseguiram agarrá-lo no meio do cruzamento e a  bater forte nele. Algumas pessoas, entre elas Chris, o mosqueteiro inglês, foram apartar. Carros começaram a buzinar porque o grupo estava bloqueando a rua. Aí conseguiram que a briga terminasse.

Os mosqueteiros me perguntaram o que tinha acontecido, mas eu não sabia responder. Não procurei saber, pois foi realmente ruim de presenciar…

Trujillo possui ruínas de areia, algo diferente e muito interessante.

Trujillo, no Peru, possui ruínas de areia, algo diferente e muito interessante.

 

Este caso se passou na linda Praga, na República Checa. Após conhecer a cidade, ia pegar um trem para o próximo destino. Era um sábado cedo. Saí do albergue e as ruas estavam desertas. Estava claro, mas ninguém na rua. A estação era a uma distância caminhável e era mais rápido ir a pé.. Faltando uns dois quarteirões para chegar, dobrou a esquina em minha direção um homem mal vestido. Assim que o vi sabia que ia me abordar pois olhou diretamente para mim. Ele me falou algo em checo, provavelmente me pediu dinheiro. Por questão de segurança, não ia parar no meio da rua deserta e abrir minha bolsa. Disse em inglês: “desculpe, não falo checo” e continuei andando. Vi pelo canto dos olhos que ele ficou parado me olhando, pensando no que fazer. Quando cheguei na esquina, vi que ele havia se decidido por vir atrás de mim. Começou a andar rápido em minha direção.

Eu estava com minha mochila nas costas, que devia estar pesando uns doze quilos. Tentei apertar o passo, mas não conseguia correr por causa do peso. A mochila me puxava para trás. Senti-me como naqueles sonhos em que a gente tenta gritar e não sai voz, correr e as pernas não obedecem… Quando ele se aproximou de mim, tentando encostar na mochila, eu fiquei tentando afastá-lo com as mãos, enquanto continuava andando apressada. Até que alcancei o quarteirão da estação e vi na distância um homem jovem saindo dela. Eu gritei em inglês: Help.  Ele veio correndo em minha direção e começou a conversar com o homem, em checo. Não entendo a língua, mas tive quase certeza que ele estava dizendo para ele me deixar em paz, para não assustar os turistas. Não quis ficar para ver o desfecho, disse “obrigada, obrigada” para o homem e segui em direção à rodoviária.

Como minha amiga Mariana Sardinha disse depois que contei o caso para ela, eu podia ter ficado e conhecido meu herói. Quem sabe não surgia um romance, como nos filmes? Mas na vida real, eu só queria entrar na segurança da estação. Infelizmente, deste anjinho da guarda, nem mesmo o nome fiquei sabendo… mas minha gratidão é eterna.

Vista aérea de Praga. Recomendo subir na torre, na catedral do castelo. Pouca gente sabe, mas inclusive é grátis.

Vista aérea de Praga. Recomendo subir na torre, na catedral do castelo. Pouca gente sabe, mas inclusive é grátis.

Praga

Praga

O abordodomundo é mais uma vez finalista do Top Blog. Em 2012 ficamos no TOP3!!!!

Agradeço os votos da primeira fase. Agora o contador é zerado. Quem votou, pode votar de novo. Conto com vocês de novo para ficar entre os TOP5!

Se puderem, votem aqui até dia 10 de março.

Cada pessoa pode votar duas vezes: por facebook e por e-mail (este último tem que confirmar no e-mail que receber).

Agradeço a força!

Quando no Chile, fui a Pucon, para fazer uma coisa que mais estava esperando fazer na viagem toda: escalar o vulcão Villarrica, que tem o pico nevado, e depois descer deslizando na neve. Sonhava com isso bem antes de decidir fazer o mochilão pela América Latina e foi a primeira coisa que listei no planejamento da viagem.

A cidade é linda, estilo europeu, emoldurada pelo vulcão branco. Cheguei, procurei uma agencia e marquei a subida para o dia seguinte. Já de manhã, ao chegar na base do vulcão, o tempo estava feio e o guia disse que era 50% de chance de conseguir subir. Talvez tivéssemos que voltar no meio do caminho, que era melhor deixar pro outro dia, mas que a decisão era nossa. Decisão coletiva de voltar e tentar no dia seguinte. Podia ser que, se eu quisesse subir, me encaixassem em algum grupo de outra agência. Mas decidi seguir o grupo: quem sabe amanhã não será um lindo dia?

Não havia mais nada para fazer na cidade com o tempo ruim e, pela primeira vez na viagem, fiquei entediada. Fui a um supermercado para comprar vinho. Diante de tanta opção, e para interagir com os locais, perguntei:

Qual vinho chileno é bom, você recomenda?

A resposta: – todo vinho chileno é bom. Pode pegar qualquer um.

Ok, fui para a agência então e fiquei degustando o vinho e assistindo um filme que eles colocaram. Chama-se Touching the void, sobre um escalador que fica perdido e quase morre. Pensei: é como passar “apertem os cintos que o piloto sumiu” em um avião! hahaha

Olhamos a previsão do tempo e vi que tinha feito a decisão errada: o mal tempo permaneceria pelos próximos 5 dias… Como eu tinha um prazo final, não poderia esperar todo este tempo.

No dia seguinte fui para Bariloche. Fiquei extremamente frustrada, principalmente quando no ônibus conheci um holandês que estava em outro grupo no dia anterior, eles decidiram subir e conseguiram!!!!

Enfim… um motivo para voltar ao Chile…

Em Pucon, com o vulcão Villarica ao fundo. A qualidade ruim da foto é porque já estava sem minha câmera, conforme post anterior...

Em Pucon, com o vulcão Villarica ao fundo. A qualidade ruim da foto é porque já estava sem minha câmera, conforme post anterior…

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